segunda-feira, 2 de março de 2026

Os Onze da Costeleta em 1966

Calma!! Não é mais uma enquete nova da Costeleta, que costumo fazer em lembrança dos discos que completam 30, 40 e 50 anos. Este ano por exemplo já rolou a dos álbuns de 1976 e ainda vai rolar as de 1986 e 1996. Então que tal conferir também o que rolou em 1966? Há exatos 60 anos atrás...



Confesso que não tenho muitos discos físicos deste ano. Ao contrário, por incrível que pareça tenho mais cds de 1965 ou 1967. Mas pesquisando deu pra fazer a lista dos meus onze deste ano. Quem quiser colaborar é só mandar a lista com seus preferidos de 1966

Já fiz isto da mesma maneira com os anos de 1964 e 1965. Então aí vão "Os Onze da Costeleta de 1966"!!

Os Onze da Costeleta de 1966

Os Afro-Sambas (Baden Powell & Vinícius de Moraes)
Em contraste com a bossa nova branca e da elite carioca, "Os Afro-Sambas" é um marco na música popular brasileira, que traz a negritude afro-brasileira. Neste álbum revolucinário expõe-se o candomblé, juntado pela poesia de Vinícius de Moraes, com o violão vigoroso de Baden Powell e os corais do Quarteto em Cy.

Uma forma de expressar os orixás de maneira poética e universal. Eu mesmo conheci através da regravação feita pelo Baden feita no início dos anos 90, que tinha uma gravação mais limpa. Este de 1966 é mais raiz, e os cantos soam únicos e originais. 

Um fato curioso de quem faz a voz-feminina em Canto de Ossanha é a atriz Betty Faria. E Baden, na época chegou a pedir a um pai de santo em Caxias, a permissão pra fazer esta homenagem aos orixás. 

A Quick One (The Who)
Após a explosiva estréia com "My Generation", o The Who veio com seu segundo álbum e também enérgio "A Quick One". Desta vez com mais composições de seus membros e menos R&B. Nos Estados Unidos lançaram com o nome de "Happy Jack", single que foi sucesso por lá, mas não incluso no álbum britânico.

Destaco de cara a animada Run Run Run, que é seguida de Boris The Spider, marca do baixista John Entwistle, e que seria tocada em muitos shows na carreira da banda. Curto bastante o único cover do álbum, Heatwave, música que teve antes destaque com Martha & The Vandellas, além também de So Sad About Us.

Mas a faixa que teria mais importância ao longo dos anos, seria A Quick One While He´s Away, uma mini-ópera de Pete Townshend, que o inspiraria futuramente para as óperas-rock "Tommy" e "Quadrophenia". Esta música seria executada no Monterrey Pop Festival de 1967 e ganharia ainda mais destaque no "Rock N´Roll Circus" dos Rolling Stones. 

Minha versão em CD possui vários bônus, entre elas, faixas do EP "Ready Steady Who", que foi lançado na mesma época do álbum "A Quick One".

Got Live If You Want It! (The Rolling Stones)
Em 1966, a terra da Rainha vivia uma ebolição entre a Copa do Mundo encomendada e ganha pela Inglaterra, com a histeria da beatle & stonemania, e demais bandas do rock em geral. Gritaria que pode ser bem observada de cara neste primeiro álbum ao vivo dos Rolling Stones.

O delírio da mulherada era tanta, que os próprios membros dos Stones faziam apostas entre eles, pra saber em qual música o show seria interrompido pela invasão louca das fãs. Essa gritaria me incomodava quando conheci esse disco, que é aliás um dos primeiros contatos que tive com a banda. 

Devido a baixa produção, a banda inclusive, reconhecia somente como primeiro disco ao vivo o "Get Yer Ya-Ya´s Out!" de 1970. Porém, sempre esteve no catálogo, Eu adquiri em algum ano recente a versão em CD DSR Remaster, que dá uma boa amenizada nos gritos da platéia. São registros de quando os Stones lançaram o álbum de estúdio "Aftermath".

Críticas à parte, eu ouço com muita afinidade, pois acho a energia incrível destas gravações. Músicas como Unther My Thumb, Get Off Of My Cloud, Not Fade Away, e 19th Nervous Shakedown, devido à pegada e velocidade, podem ser consideradas como proto-punks! 

´Four`And More (Miles Davis)
Acelerar músicas ao vivo no palco não era exclusividade somente dos Rolling Stones, a empolgação transcendia também para o Jazz. Em 12 de fevereiro de 1964, o Quinteto de Miles Davis se apresentou no Philharmonic Hall, em Nova Iorque. Desta mesma apresentação se resultaram em dois discos: "My Funny Valentine" lançado no ano anterior, que continha faixas mais lentas e andamento médio, e este ´Four`And More com faixas mais enérgicas e numa velocidade maior.

A começar pelo clássico So What do lendário "Kind Of Blue"; Uma versão muito mais virtuosa do que a climática original. Isto vale para as demais como Joshua e Seven Steps To Heaven, ambas do disco homônimo desta última faixa, que já contava o ótimo saxofonista tenor George Coleman, o qual ainda segue vivo e na ativa até hoje com seus noventa e poucos anos.

É um álbum com muito suíngue, ótimo pra quem curte quebradeiras jazzísticas. O quinteto de Miles, se completava com jovens músicos, com o baterista Tony Williams (falecido em 1997) e os ainda vivos Herbie Hancock no piano e Ron Carter no baixo. O grupo naquele ano já contava com Wayne Shorter no sax, mas aí já é uma outra história.

Aftermath (The Rolling Stones)
Este é o primeiro álbum da banda a ter somente músicas compostas pelos próprios integrantes, no caso a dupla Mick Jagger e Keith Richards. Cada vez mais o grupo se expandia nos estilos, e o guitarrista e gaitista fundador Brian Jones experimentava outros instrumentos raramente usados no Rock. 

Em "Aftermath" os casos que mais exemplificam isto nas funções de Brian, foram a cítara em Paint In Black, uma faixa que foi lançada como single de sucesso no Reino Unido, e está presente somente no álbum da versão  estadunidense. As marimbas na fantástica Unther My Thumb, e um instrumento saltério dos apalaches em I Am Waiting.

Um grande disco, que já indicava o caminho que o rock tomaria com a psicodelia. Doideiras experimentações presentes também no "Rubber Soul" e "Revolver" dos Beatles, "A Quick One" do The Who, "Pet Sounds" do Beach Boys, entre outros como "Da Capo" dos californianos do Love. Iniciava-se a era do Flower Power. Destacam-se também a balada Lady Jane, Stupid Girl e a quase jam Going Home de onze minutos.

Revolver (The Beatles)
Um dos álbuns da carreira dos Beatles 
mais cultuados pelos seus fãs. Apesar de eu, particularmente ouvir mais seu anterior, o "Rubber Soul" e o posterior "Sgt. Peppers...". Enfim, "Revolver" é um divisor de águas na história da banda. Após a gravação deste, o quarteto faria seus últimos shows em turnê, e dali se dedicariam mais exclusivamente às gravações de estúdio.

Aqui é definitivamente quando a banda deixa de vez a fase "boyband" e embarca na psicodelia, exprimentação e LSD. Dali em diante, fariam composições com vários estilos diferentes de músicas. De cara minhas preferidas do disco me amarro na rockona Taxman de George Harrison, e as orquestradas Eleornor Rigby e Yellow Submarine. Sem falar na animada Doctor Robert e na indiana Tommorrow Never Knows, onde inovam com guitarras reversas na gravação.

A capa é também um capítulo à parte. Criada pelo artista e amigo da banda Klaus Voorman. Ele usou colagem de fotos dos quatro beatles de 1964, com os rostos de ambos desenhados em tamanhos maiores. Enfim, um álbum marcante na estética da música da época.

Meditations (John Coltrane)
Enquanto a psicodelia do rock vivia novas experimentações em 1966, o saxofonista John Coltrane, ia com sua música além da experimentação. Ia para uma conexão espiritual com Deus,  com o além e infinito, através de um jazz mais livre e agressivo. Segundo ele próprio afirmava.

Confesso que até hoje nunca me senti a vontade com o free-jazz. Essa anarquia musical está bem caracterizada na primeira faixa The Father And The Son And The Holy Ghost, deste ábum "Meditations", na qual até pulo a faixa. 

Lembro quando comprei este CD, empolgado com os demais "Giant Steps" de 1960, "Coltrane" de 1962, "A Love Supreme" de 1965, entre outros, e quando fui ouvir esta primeira faixa me assustei. Aliás, até hoje não me adaptei a este som, em que o saxofonista vinha fazendo neste período até seu falecimento em 1967.

Só pra se ter uma idéia, a banda é o seu super quarteto acrescentado de mais um baterista, Rashied Ali e de outro saxofonista Pharoah Sanders. Aí já viu né?! Porém as demais faixas Compassion, Love, Consequences e Serenity são mais "normais", e são demais! O próprio Coltrane dizia que "Meditations" é a continuação da sua obra-prima "A Love Supreme" do ano anterior. Então valeu muito minha aquisição. Vale citar que este foi o último álbum a contar com o pianista McCoy Tyner e o baterista Elvin Jones.

The Real Folk Blues (Howlin´Wolf)
Vamos agora para o Mississippi, pra falarmos de Howlin´Wolf, uma das vozes do blues mais influente de todos os tempos. O homem que tinha um marimbondo na garganta, além de gaitista e guitarrista era venerado por diversas bandas inglesas de rock.

Wolf já avia gravado diversos singles e três compilações, então a Chess Records, resolveu neste meio da década de sessenta uma série de coletâneas de bluseiros intituladas de "The Real Folk Blues". Então neste está a nata de Howlin´Wolf gravadas em Chicago entre 1956 e 1965.

Entre as diversas pérolas está a faixa de abertura Killing Floor, aquela em Jimi Hendrix explodiria fazendo a abertura com o Experience no Monterrey Pop Festival de 1967. Algumas faixas também foram compostas e gravadas com o lendário baixista Willie Dixon. 

Speak No Evil (Wayne Shorter)
O mesmo time citado acima do Miles Davis "Four And More" é o que gravou o sexto álbum solo do saxofonista Wayne Shorter. A excessão é a troca do trompetista Freddie Hurbard no lugar do incomparável Miles. Além de Elvin Jones, batrista de John Coltrane no lugar de Tony Williams. 

Sim, era costume dos músicos de jazz cooperarem nos álbuns entre eles. Wayne Shorter e o baixista Ron Carter por exemplo participaram do também excente "Mayden Voyage" do pianista Herbie Hancok, em seu disco de 1965. 

Era costume de alguns colocar foto da então esposa da capa de seus álbuns. E nesta quem está era Teruko Nakagami, então mulher de Wayne Shorter, a qual ele conheceu em 1961. 

Neste disco em que se funde hard bop e jazz modal, que consolidou e marcou a carreira do saxofonista, e muitos consideram um dos mais importantes da história do jazz, destacam-se Witch Hunt, Dance Cadaverous e a faixa-título Speak No Evil. Com as feras dessas tocando juntos não tinha como não dar bom.

Sua Sanfona e Sua Simpatia (Luiz Gonzaga)
Tá pensando o quê? Também tenho disco do Gonzagão. Curto de leve um baião sim! Um CD, de pelo pouco de informações que pesquisei e não achei, parece ser uma compilação lançada no ano de 1966. O décimo quinto LP do artista. 

Boa parte das faixas é de composição de Luiz Gonzaga com o letrista pernambucano Miguel Lima. E as que curto são: O Cheiro de Carolina, Xanduzinha, A Feira de Caruaru, Xamego e Buraco do Tatu.

Após o sucesso nos anos 40 e 50 e virar o rei do Baião, Luiz Gonzaga na década de 60 ficou um pouco no ostracismo e morou algum tempo com seu filho Gonzaguinha, então adolescente, na Ilha do Governador no Rio de Janeiro. Ambos brigavam muito, mas nos anos 70 e 80, Gonzagão voltou em evidência e chegou a gravar junto com seu filho.

Por acaso, estudei com sua neta, Amora Pêra, no final dos anos 90 no CEL de Ipanema. Recomendo também, pra quem quer conhecer mais sobre o músico, assistir o filme "Gonzaga: De Pai Para Filho" de 2012.


Fresh Cream (Cream)
Pra fechar a lista dos meus 11 de 1966 vale citar e muito o álbum de estréia do Cream. O famoso power-trio inglês de blues-rock formado por Jack Bruce (vocal e baixo), Eric Clapton (guitarra) e Ginger Backer (bateria). Grupo que foi bastante influente na história do rock, e que fazia destacar os instrumentistas, além das canções. 

Este é meu preferido de estúdio, pois o álbum que me introduziu ao Cream foi o "Live Cream" de 1970, e praticamente quase todas as faixas deste último estão presente neste primeirão da banda. São elas: N.S.U. , Sleepy Time Time, Sweet Wine e Rollin Tumblin´.

Mas vale destacar o single I Feel Free, que como de costume das bandas, só tem no álbum estadunidense. Além também de I So Glad. Outros covers como Spoonful Cat´s Squirell eram costumeiras em bandas britânicas da época como John Mayall & The Blues Breakers, Ten Years After, Jethro Tull e The Yardbirds.

Menção Honrosa:
Tristeza On Guitar (Baden Powell)


















quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Escolha da Galera: Enquete Álbuns de 1976

 Foi realizada a 18ª Enquete A Costeleta, que abordou os álbuns lançados em 1976. Tivemos desta vez somente um novato, que participou pela primeira vez aqui da nossa brincadeira, a qual já realizamos há cinco anos. Os 25 votantes desta vez colocaram um total de 93 discos diferentes.

Um ótimo número, mas posso dizer que não em quantidade, mas principalmente qualidade. Muitos vieram me dizer, que foi difícil ter que escolher só onze preferidos em suas listas. Eu mesmo tive dificuldade.

1976: Um ano de muita qualidade musical


Na postagem passada eu comentei os onze meus preferidos discos que eu tenho do ano de 1976. Como pode ser visto aqui >> Os Onze da Costeleta em 1976 

Também citei, que nesta enquete de 1976, por questão de tempo, não farei os tradicionais programas, no qual coloco no canal A Costeleta Blog no You Tube. Então publicarei os resultados e comentários, desta vez aqui mesmo no próprio blog. Em breve voltarei!

Os Onze da Costeleta em 1976 

Vamos relembrar também os vencedores das dezessete enquete anteriores:


Como por aqui não dá pra manter muito suspense, chegou a hora de anunciar o vencedor da Emquete A Costeleta 1976. Que foi o "High Voltage" do AC/DC !! 🥇 Após o 2º lugar com "Ballbreaker" em 1995, enfim a banda australiana conquista pela primeira vez a Taça com seus treze votos. Na segunda colocação ficou o ótimo "2112" do Rush, seguido de "Dirty Deeds Done Dirt Cheap" também do AC/DC. Quase que uma dobradinha em alta voltagem!💥

High Voltage (AC/DC) vencedor da Enquete A Costeleta 1976🥇


Aí vai a lista dos onze mais lembrados da Enquete A Costeleta 1976. Citações meio que divididas entre bandas de Hard Rock e da MPB, além do contraste entre o progressivo do Rush e o punk rock dos Ramones. Confira a votação >>> Enquete Álbuns 1976 

Mais votados:
High Voltage (AC/DC) - 13 votos
2112 (Rush) - 11 votos
Dirty Deeds Done Dirt Cheap (AC/DC) - 10 votos
Ramones (Ramones) - 8 votos
Meus Caros Amigos (Chico Buarque) - 8 votos
Rising (Rainbow) - 8 votos
Jailbreak (Thin Lizzy) - 8 votos
Há Dez Mil Anos Atrás (Raul Seixas) - 7 votos
Black And Blue (The Rolling Stones) - 7 votos
África Brasil (Jorge Ben) - 7 votos
Destroyer (Kiss) - 7 votos

Então aí vai uma escolha minha de cada votante, com comentários breves, que curti, das listas de cada um dos outros 24 partipantes. Vamos juntos nessa viagem ao tempo!

Presence (Led Zeppelin)
Escolha de Heitor Velasco

Este disco bateu na trave para estar nos meus onze, por isso achei interessante abrir com este ótimo disco do Led Zeppelin. Não é aquele disco perfeito, muitos até torcem o nariz, mas a banda nunca teve disco ruim na minha opinião. Apesar de ser o menos vendido dos oito lançados com a banda na ativa, é sim muito bom. Por pouco também não ficou entre os onze na enquete da galera.

Um diferencial do Led é que seus discos conseguem, além de criativos, soarem diferentes um dos outros. O "Presence" tem desta vez faixas mais hard rock como Achilles Last Stand e Nobody´s Fault But Mine,  com destaque para a bateria matadora de John Bonham. Outra que curto bastate é o blues Tea For One.

A capa feita pela Hipgnosis tem um objeto em forma de obelisco, que representava a força da banda. Vale lembrar também que neste mesmo ano de 1976 lançaram o "ao vivo" "The Song Remains The Same", que eu já cansei e recansei de ouvir, mesmo sabendo mais tarde de seus overdubs.  




Jailbreak (Thin Lizzy)
Escolha de Sidney Almeida

Este é um petardo que merecia a primeira colocação. Uma pena ainda não ter este disco físico na minha coleção, pois gosto somente de citar os que tenho. O próprio Sidney Almeida me criticou com isso, e com razão. Que discaço!! 
A culpa é que os cds do Thin Lizzy são muito caros. Podem conferir os valores na internet e lojas.

É o disco mais vendido da carreira da banda do cantor, baixista e compositor Phil Lynott. Não só pelo grande hino The Boys Are Back In Town, mas como as espetaculares Jailbreak, Warriors, Cowboy Song e Emerald.

Destaque para a dupla de guitarras Brian Robertson e Scott Gorham. Aqui é o hard rock Thin Lizzy no auge e em sua fase clássica. Rock n´Roll puro na mais alta qualidade! Clássico!




Virgin Killer (Scorpions)
Escolha de Fábio Pereira

Tudo o que falei sobre o "Jailbreak" do Thin Lizzy, coloco praticamente na mesma itensidade pra este "Virgin Killer" dos Scorpions. Outra pauleira pura!! Infelizmente, também o CD não tem preço acessível nas lojas e internet. Enfim, essa foi a escolha preferida da lista de Fábio Pereira, que faz questão de me mostrar sempre a foto dos seus onze.

Voltando ao disco, a começar polêmica da capa lançada originalmente com uma menina de dez anos nua, com um vidro estilhaçado na sua parte genital. Obviamente, e com razão, foi banida do Reino Unido e Estados Unidos. A banda dizia que a foto representava que o tempo era o assassino da inocência. Existem então outras duas capas do álbum lançadas posteriormente.

Em "Virgin Killer", os Scorpions desfilam pedreiras como Catch Your Train, e Backstage Queen. Mas meu destaque vai para o guitarrista Uli John Rot que faz a guitarra falar na sensacional Polar Angels e Picture Life. Esta última tive a oportunidade em vê-lo ao vivo fazendo participação no show dos Scorpions no Sweden Rock Festival em 2007.




Rising (Rainbow)
Escolha de Ricardo Fernandes

O segundo álbum do Rainbow é simplesmente um marco, e um disco muito cultuado no meio hard rock e heavy metal. O líder e guiarrista Ritchie Blackmore, após gravar o primeiro álbum, dispensou todos os músicos (que eram da banda ELF), com excessão do vocalista Ronnie James Dio. Recrutou Cozy Powell para a bateria, Jimmy Bain no baixo e Tony Carey pros teclados, além do produtor Martin Birtch.

São somente seis músicas, duas delas com mais de oito minutos. Um ábum com grandes riffs, improvisos, temas árabes e o vocal imponente de Dio. Blackmore quis expandir a essência do rock do Deep Purple, sua antiga banda, que havia ficado mais funk e soul. É um metal medieval, que alguns dizem ser uma das sementes do Power Metal.

A capa com o arco-íris com um punho embaixo é bem famosa também. Foi feita por Ken Kelly, que também fez a do "Destroyer" do Kiss. Enfim, "Rising" foi bem lembrado entre os votantes da Costeleta e ficou na quarta colocação na enquete.




Destroyer (Kiss)
Escolha de Guilherme Salomão

O Kiss vinha de três ábuns de estúdio modestos, e finalmente conseguiram o que queriam, que era mostrar de verdade a energia da banda ao vivo. Isto veio com o ao vivo "Alive!" de 1975. Então, eles queriam provar de vez que eram capazes de fazer um álbum bem quente também em estúdio. Chamaram o produtor Bob Erzin, que havia trabalhado com Alice Cooper, e foram competentes com o "Destroyer" em 1976.

Já abre com o grande hino Detroid Rock City, música que ecoa até hoje em qualquer playlist de Hard Rock e do próprio Rock em geral. King Of The Time Night World e God Of Thunder mantém a chama da bolacha, que conta também com Do You Love Me, Sout It Out Loud, que é uma das minhas preferidas, além da balada Beth.

Alguns fãs de Kiss me disseram que Detroit Rock City é mais clássico e cultuado. Mas boa parte prefere o "Rock N´Roll Over", que seria também gravado e lançado em 1976. Era o Kiss à todo vapor! Uma banda que está quase sempre presente nos programas Escolha da Galera. Então, Guilherme Salomão, que é também grande fã dos Beatles, não tem do que reclamar.




Johnny The Fox (Thin Lizzy)
Escolha de Aton Lee (estreante nas enquetes)

Assim como AC/DC e Kiss, o Thin Lizzy estava com bala na agulha em 1976. Após sair em turnê do aclamado e já citado álbum "Jailbreak", Phil Lynott contraiu hepatite e teve que interromper a agenda de shows. No hospital ele não perdeu tempo e compôs as músicas pro "Johnny The Fox", que não tem o mesmo glamour, mas é ótimo!

Entre os destaques estão Don´t Believe A Word, que fez sucesso no Reino Unido. Além de Jonny The Fox Meet Jimmy The Reed, que eram dois personagens do hotel em que a mãe de Phil Lynott cuidava. Outra grande faixa é Massacre, que foi regravada inclusive pelo Iron Maiden em 1988. 

Essas três faixas estariam presentes no futuro álbum ao vivo "Live And Dangerous" de 1978. Que é inclusive o único CD que tenho do Thin Lizzy. Pois como falei, a maioria tem preços acima do normal, em comparação com outras bandas. 




Made In Europe (Deep Purple)
Escolha de Yuri Grilo

"Made In Europe" é um álbum ao vivo do Deep Purple com material das turnês dos discos "Burn" e "Stormbringer". São últimos registros em Paris, e em Graz, na Áustria, com o guitarrista Ritchie Blackmore, que havia saído pra montar o Rainbow. É a chamada formação Mk III da banda, que conta também, com David Coverdale no vocal, Glenn Hughes no baixo e vocal, John Lord nos teclados e Ian Paice na bateria.

Bem, não há muito a mais o que falar. Apenas curta a sonzeira. São cinco faixas arrebatadoras, algumas com improvisos inclusive. Abre com a clássica "Burn" e "Mistread", esta com um trecho de Rock Me Baby de B.B. King, e Lady Double Dealer. O lado B vem com You Foll No One e a sensacional Stormbringer. 

Alguns outros álbuns ao vivos foram lançados neste período de hiato da banda entre 1976 até 1984. Neste ano aconteceu a reunião com a formação Mk II, para a gravação do "Perfect Strangers".




Rastaman Vibration (Bob Marley & The Wailers)
Escolha de Eduardo Cardoso

Com certeza este é um dos grandes ábuns da carreira do Bob, mesmo não tendo hits pra coletânea tipo a "Legends". Mas quem conhece um pouco mais a fundo com certeza curte praticamente todas deste "Rastaman Vibration".

Neste vemos letras, que boa parte foi feita por amigos e parentes do Bob, que abragem mais política e a filosofia Rastafári. Começando peça Positive Vibration, que costumava abrir albuns shows do The Wailers, vide o álbum ao vivo "Babylon By Bus" de 1978. Segue com Roots Rock Reggae, que emplacou na época nas paradas americanas.

Destaco Crazy Ballhead, Rat Race e a sensacional War, regravada anos depois pelo Sepultura. Enfim, registro essencial, que pretendo ter em minha coleção. Num ano em que seus amigos, e ex-companheiros de banda Bunny Wailer e Peter Tosh lançaram também seus primeiros discos solos.




Sofrito (Mongo Santamaria)
Escolha de André Mignani

Gosto de listas quando vem com algo que desconheço e vem com qualidade. Já aprendi muito com a galera da Costeleta. E o indicado e elogiado no meu gosto a vez é este "Sofrito" do percussionista cubano Ramon "Mongo" Santamaria, com sua fusão, no meu entender com salsa e jazz latino. Qualidade!

FO músicopara Nova Iorque no início dos anos 50, quando se destacou com outros rumbeiros e gravou seu primeiro disco "Afro-Cuban Drums" em 1952. Nos anos 60 teve como pianistas acompanhantes nada menos que Chick Corea e depois Herbie Hancock. 

Segundo minha pesquisa, "Sofrito" de 1976 é o trigésimo terceiro álbum gravado. Sofrito, como ilustra a capa é um prato espanhol, com versões italianas. Pelo que entendi é um refogado com legumes. Um tempero diferente assim como seu jazz latino psicodélico deste disco. Curti e coloquei na playlist A Costeleta 1976 as faixas: Spring Song, Sofrito e O Mi Shango. 




Gal Canta Caymmi (Gal Costa)
Escolha de Omar Diniz

Vamos agora pras brasilidades! Foram 21 lembradas, que são diversas e muito boas. Escolhi alguns. Entre eles, este da Gal, que entrou nas minhas descobertas preferidas da enquete. Já encomendei o meu CD!

Como enunciado no título do álbum, a baiana Gal Costa canta dez faixas do cantor, compositor e conterrâneo Dorival Caymmi. Conseguiu nas gravações manter a essência das faixas, e deu um toque pessoal nelas, colocando segundo fontes uma nova cara na MPB. Participaram do disco grandes músicos como João Donato, Antônio Adolfo, Dominguinhos e Luizão Maia. 

Dizem que foi um divisor de águas na carreiras da cantora, pois além de musicalmente, foi a primeira vez que um álbum dela vendeu mais de 100mil cópias, passando então a ser reconhecida como uma cantora popular. Curti: Vatapá, Pescaria, O Vento,  São Salvador e Só Louco, esta última foi abertura da novela O Casarão no mesmo ano.



Falso Brilhante (Elis Regina)
Escolha de Cláudio Mendes

Na lista de Cláudio, eu queria comentar sobre o Bixo da Seda, banda gaúcha de prog, que fez sua estréia em 1976. Mas não tem como deixar de falar de um dos principais discos da música brasileira, que é o "Falso Brilhante" de Elis Regina. Este nome foi um espetáculo musical realizado pela cantora que retrarava uma metáfora de sua vida pessoal, exibido entre 1975 e 1977.

Devido ao grande sucesso de público resolveram que parte do repertório fosse registrado em LP. Com a produção de Mazzola e arranjos de César Camargo Mariano, o disco foi um sucesso só, sendo o mais vendido até então da Elis. Este álbum, ela conseguiu provar que os acusavam de ser uma cantora somente técnica e fria e sem muita interpretação.

Destaque para as duas primeiras faixas Como Nossos Pais e Velha Roupa Colorida do compositor Belchior, artista em que a própria Elis ajudou-o no início da carreira. Esta primeira música então ficou marcada na MPB, reverenciada pela crítica e público, sendo depois regravada pela sua filha Maria Rita e pela Pitty. 




Meus Caros Amigos (Chico Buarque)
Escolha de Fernando Donan

Este é daqueles discos que nunca parei pra ouvir, mas quando apertei o play reconheci várias músicas. Não é à toa que foi o álbum brasileiro mais lembrado na enquete, e ficou ainda na quarta colocação, superando muitos medalhões do rock internacional.

O disco conta com canções que foram temas de filmes e peças. A comaçar com O Que Será, que Chico faz dueto com a participação especial de Milton Nascimento. Faixa também gravada por este em seu álbum "Geraes" do mesmo ano de 1976. Esta música foi tema do filme "Dona Flor e Seus Dois Maridos". 

Vai Trabalhar Vagabundo foi também tema do filme do mesmo nome, do diretor Hugo Carvana. Destaco também as faixas Passaredo e o chorinho Meu Caro Amigo. Esta última, pra variar, uma crítica à Ditadura Militar no Brasil na época.  




Maravilhas Contemporâneas (Luiz Melodia)
Escolha de Eduardo Camargo

"Carnaval, carnaval... Eu fico triste quando chega o carnaval! Isso é Luiz Melodia!" - Trecho citado por Paulo Miklos, no disco acústico dos Titãs, em 1997. Sim, descobri só agora que esta música Quando o Carnaval Chegou é deste álbum "Maravilhas Contemporâneas" de 1976. 

Poderia ter escolhido entre as escolhas de Camargo, o hoje cultuado "Estudando Samba" de Tom Zé, que foi lembrado por alguns votantes, mas vamos com este. 

Após lançar o ótimo e bem sucedido disco de estréia "Pérola Negra", Luiz Melodia manteve a qualidade neste segundo álbum com suas variações de soul, funk, samba e psicodelia. Curti a faixa título, além de Juventude Transveada, trilha sonora da novela "Pecado Capital".

Melodia, confesso que é um artista que ouvi pouco mais do que devia. Conheci o nome dele pela primeira vez quando participou da gravação do hino do Vasco nos anos 90 na revista Placar. Passarei então a pesquisar mais, até porquê sempre passo pelo belo mural pintado dele na parede da esquina Rua João Paulo I com R. Paulo de Frotin, no Estácio.




Cartola II (Cartola)
Escolha de Loscar

Entre as escolhas de Loscar, poderia ter citado o "Super Ape" do dub jamaicano The Upsetters, pois foi com ele e outro amigo, o "Bob", que conheci um pouco mais o gênero Dub. Mas vamos reverenciar um dos poetas do samba mais vangloriado merecidamente que é Angenor de Oliveira, mais conhecido como Cartola.

Compositor desde o final dos anos 20, Cartola só foi ter um disco gravado aos 66 anos em 1974. Dois anos depois fez este segundo ábum maravilhoso e marcante da história da música brasileira. Que tem na capa, o artista com sua esposa Dona Zica numa janela de sua moradia na Mangueira. Eu cheguei à vê-la em vida no início dos anos 2000 numa churrascaria na Tijuca, num evento de confraternização da escola de samba Mangueira.

"Cartola II" tem como destaque O Mundo É Um Moinho, que tem o jovem Guinga no violão. Um clássico interpretado posteriormente por Cazuza, Ney Matogrosso e Beth Carvalho. Preciso Andar é outra canção maravilhosa, deste ábum que ainda tem As Rosas Não Falam, cultuada e também regravada pela Beth, versão maravilhosa por sinal, e pelo bluseiro Celso Blues Boy. Mostrando que a poesia de Cartola transcende gêneros.




Alucinação (Belchior)
Escolha de Renato Santos

Outro clássico da MPB, Alucinação é o segundo álbum do cearense Antônio Carlos Belchior, que o ajudou a projetá-lo. O disco vendeu nada menos do que meio milhão de cópias no Brasil. Embalados pelos hits Como os Nossos Pais e Velha Roupa Colorida, canções que citei anteriormente, que foram gravadas pela Elis Regina no álbum "Falso Brilhante". 

A própria cantora foi fundamental na engrenagem do sucesso de Belchior. Foi através dela que o produtor Marco Mazzola, ouviu as demos em cassete, e depois de muita insistência na gravadora Phillips conseguiu concretizar este álbum "Alucinação".

Vale a pena conferir a história completa no canal "Ouvindo Estrelas" do Marco Mazzola. História que originou o título "Alucinação". Este é um álbum com espírito Rock com pegada Folk e brasileira. Além, das músicas cantadas por Elis,tem que citar é claro, Apenas Um Rapaz Latino Americano, e A Palo Seco, do seu álbum de estréia.




Crucis (Crucis)
Escolha de Hector Borja

Do rapaz latino americano seguimos para a Argentina, terra do grande conhecedor musical, Hector Borja, principalmente na área do rock progressivo, que é uma de suas especialidades. Estamos falando do Crucis, que lançou seu ábum de estréia, com seu mesmo nome em 1976.

A banda, uma das pioneiras do rock progressivo argentino foi montada em 1974, e uma das principais figuras é o guitarrista  e vocalista Gustavo Montesano, que passou depois para o baixo. Não conhecia este grupo, mas se coloquei aqui, entre essas escolhas quase todas diferentes de Hector, é porque no meu gosto vale a indicação.

Um intrumental muito bem feito, com ótimas levadas de bateria de Gonzalo Farrugia, e riffs e solos de Pino Marrone. Aníbal Kerpel completa o time com sua ótima variantes de teclados. Podemos dizer um prog sinfônico com jazz-rock. A banda durou pouco, lançando mais um ábum e se dissolvendo em 1977. Se reuniriam novamente em 2004. Vale a escuta!




Moonmadness (Camel)
Escolha de André Lupac

1976 já não era mais o ápice do rock progressivo, mas havia ainda muita coisa rolando e com qualidade. Estamos falando agora do quarto álbum da excelente banda inglesa Camel, que veio com o "Moonmadness". Digo excelente, porquê até o próprio guitarrista Lupac já fez uma banda tributo à eles.

Mas quem me indicou este álbum foi Cláudio Mendes, lá pra meados de 2010, na época em que o Soulseek ajudava a conhecer e baixar muitas coisas. E este "Moonmadness" foi um deles que eu adorei! Vale muito ajeitar seu travesseiro e se deitar pra viajar nessa bolacha, ou streamings como preferir.

Com a temática espiritual e lunar, o Camel fez um dos seus discos mais marcantes, quase sempre citado em listas de especialistas do gênero prog. Uma curiosidade é que foi gravado no Basing Street Studios em Londres, local onde em 1971 foi gravada ao mesmo tempo Stairway To Heaven do Led Zeppelin, no andar de baixo e o "Aqualung" do Jethro Tull no andar de cima. 




A Trick Of The Tail (Genesis)
Escolha de Alberto Garritano

Outra banda constantemente presente nas enquetes A Costeleta, é o rock progressio inglês do Genesis veio desta vez om "A Trick Of The Tail". Após a saída de Peter Gabriel, eles testaram uns 400 nomes para os vocais da banda. Mas como o baterista Phil Colins, já havia cantado algumas músicas, e tinha timbre semelhante ao de Gabriel, resolveram então ele mesmo assumir o microfone. 

Aqui então inicia-se a Era Phil Collins nos vocais. Com também o baixista/guitarrista Mike Rutherford, o guitarrista Steve Hackett e o tecladista Tony Banks seguiram com a missão de principais compositores. E este álbum agradou fãs, crítica, e eu também, pois não sou muito aprofundado em Genesis.

O disco já abre com a ótima Dance On A Volcano, que já me conquistou de cara, junto com a última Los Endos. Outros destaques são A Trick Of The Tail, Ripples, e Robbery, Assault and Battery, faixas que viraram vídeo-clipes, feitos inéditos até então na história do Genesis.




Pieseň z hôľ (Fermáta)
Escolha de André Medeiros

Em 1976 a Seleção da Tchecoslováquia de futebol conquistou a Eurocopa deste ano vencendo a Alemanha Ocidental. numa final disputada na Iugoslávia. Mas não foi só nos gramados em que os tchecoslovacos se destacavam. Vamos falar da ótima banda deste país de jazz-rock progressivo Fermáta, da cidade de Bratislávia, atual Eslováquia.

Essa foi a escolha de André Medeiros, um colecionador deste tipo de som, e que já fizemos um Costeleta No Papo sobre bandas do assunto. Pra variar ele me mandou uma lista com vários desses conjuntos, e o "Pieseň z hôľ", ou "Song From Bridges" foi o que mais me agradou.

Uma quebradeira bacana, que lembra o Weather Report e Return To Forever, na qual destaco a guitarra frenética de Frantisék Grilak, e os rhodes e moogs do tecladista Tomás Berka. Este é o segundo de doze álbuns desta banda que persiste até os dias atuais. E sim, preciso conhecer mais a fundo pra opinar mais. Foi mais uma das belas descobertas que adquiri por vocês votantes.





Romantic Warrior (Return To Forever)
Escolha de Jorge Medeiros

Chick Corea está na primeira prateleira dos meus tecladistas/pianistas favoritos. Curto sua carreira solo e suas colaborações, principalmente com Miles Davis. E o Return To Forever é um grupo de jazz-fusion em que ele montou em 1972, e manteve sempre com o baixista Stanley Clark. No qual eu tenho e adoro muito o primeiro álbum de mesmo nome.

"Romantic Warrior" que é o quinto disco, que contou desta vez, além de Corea e Clark, os expetaculares Al Di Meola na guitarra e Lenny White na bateria. O título é uma resposta, no bom sentido ao "The Myths and Legends of King Arthur and The Knights of The Round Table" de 1975, do tecladista Rick Wakeman. Ambos possuem a temática e influência medieval.

Álbum muito maduro, coeso e bom gosto nos improvisos e variações. Outro disco pra adquirir quando eu puder. Só posso dizer que sou grato em ter visto Chick Corea ao vivo por duas vezes. Gostei da lista de Jorge Medeiros com seus instrumentais. Quem sabe não faremos um Costeleta No Papo sobre três discos citados em que conta com a participação do baixista Jaco Pastorius em ambos.




No Reason To Cry (Eric Clapton)
Escolha de Bruno Paulino

Se eu acho Eric Clapton o deus da guitarra? Não, pois eu colocaria muitos outros acima. Mas adoro muita de suas músicas e interpretações. Gostei da garimpagem do nosso grande Bruno Paulino, pois este é um disco que não conhecia, nem mesmo a capa. E não há nenhum hit famoso neste.

Mas ao apertar o play no Spotfy me satisfez praticamente todo do início ao fim, mesmo sem conhecer nenhuma faixa. Um álbum leve e gostoso de ouvir, caracterizado com pop rock blues, e pitadas de country. Curti as Carnival e Country Jail Blues, ambas de autoria do próprio Clapton, e de Sign Language do Bob Dylan, que no meio das gravações apareceu por lá e fez participação também.

Destaco também os solos e duetos de guitarra de Ron Wood, que participou de quatro faixas: Beatiful Thing, Sign Language, Country Jail Blues e All Our Past Time. Vale ressaltar também que Eric Clapton teve o apoio do The Band para a gravação deste. E a capa reflete bem o período do guitarrista, pois este mesmo que após ter se livrado do vício de heroína, mantinha fortemente o abuso de álcool. Bom álbum!




Calling Card (Rory Gallagher)
Escolha de Daniel Arêas

Continuando com grandes nomes da guitarra, o irlandês Rory Gallagher, que foi cotado pra substituir Mick Taylor nos Rolling Stones, seguiu se dedicando à sua carreira solo e lançou esse maravilhoso "Calling Card". O disco foi produzido pelo Roger Glover, baixista do Deep Purple.

Foi o último com a clássica formação que contava com Lou Martin nos teclados, Rod de´Ath na bateria e Gerry McAvoy no baixo. Somente este último seguiu com Rory no ano seguinte. 

O álbum é meio que diversificado com alguns hard rocks, blues e baladas. É considerado um dos melhores de sua carreira. Destaco a faixa de abertura Do You Read Me, e a rockona Secret Agent, em que exibe lindos solos de slide. Curto também o slow-blues Calling Card, e a bastante presencial em seus shows: Moonchild. 

Pra quem é fã de Iron Maiden, vale lembrar que Rory Gallagher tem além de Moonchild, uma música chamada Seventh Son of a Seventh Son. "Calling Card" entrou pro meu carrinho de compras também. O precinho é que não ajuda, então vou ter que esperar.




Tejas (ZZ Top)
Escolha de Márcio Guimarães

Fã de rock-blues, Márcio colocou alguns do estilo em sua lista, entre eles o "Captured Live!¨ do Johnny Winter, que é uma paulada só de puro rock n´roll. Disco o qual tenho guardado este em CD. Então seguindo a linha do estilo vale citar o "Tejas", o quinto ábum do trio ZZ Top, formado do Billy Gibdons, Dusty Hills e Frank Beard.

"Tejas" que na língua indígena caddoana, significa "amigos", é o nome que dá origem ao estado do Texas. A banda gravou este no intervalo da Worldwide Texas Tour, turnê do ábum anterior "Fandango!". E entre os singles do "Tejas" lançaram It´s Only Love e Arrested For Drivin While Blind.

Como curti bastante o disco, não poderia deixar de encomendar o meu disco físico em CD. Apesar de estar com uma remixagem de 1987. Ótimas canções rock, blues e um pouco de country, no qual coloquei na Playlist A Costeleta 1976 no Spotfy as: El Diablo, Pan An Highway Blues, além dos dois singles citados. 





Songs In The Key Of Life (Stevie Wonder)
Escolha de Fernando Azevedo

Encerrando a sessão "Escolha da Galera", uma grande pesquisa de audição que valeria muito ter feito um programa pro canal no You Tube: "Songs In The Key of Life". Vale lembrar este décimo oitavo disco de estúdio de Stevie Wonder. Nem tanto pelo meu gosto pessoal, mas pela crítica e opiniões de amigos. Pois muitos consideram o ápice do período clássico deste magnífico músico.

"Songs In The Key of Life" foi lançado como um álbum duplo, e dentro dele um disquinho de bônus com mais quatro músicas. Lançamento de altíssima qualidade, em que varia entre o R&B e o Soul-Jazz. Entre os singles de destaques estão I Wish , Isn´t She Love It e Sir Duke.

Vale ressaltar o riff do sintentizador de Stevie Wonder em Pastime Paradise, regravada anos depois pelo rapper americano Coolio como Gangsta Paradise. Simplesmente também o músico Elton John referiu-se assim sobre o álbum: "Deixe-me colocar desta forma: onde quer que eu vá no mundo, sempre levo uma cópia de Songs in the Key of Life . Para mim, é o melhor álbum já feito, e sempre fico impressionado depois de ouvi-lo." 





 
Os esquecidos e pesquisados após a enquete:










Technical Ecstasy (Black Sabbath) - rock











Bandido (Ney Matogrosso) - mpb











Tim Maia (Tim Maia) - soul/funk











Black Market (Weather Report) - jazz fusion











The Runaways (The Runaways) - rock











I Want You (Marvin Gaye) - soul











Stratosfear (Tangerine Dream) - ambiente











The Clones of Dr. Funkestein (Parliament) - funk











Pangea (Miles Davis) - jazz fusion











Tamba-Tajá (Fafá de Belém) - mpb











Hey Gordão (Joelho de Porco) - rock











Mundo Melhor (Beth Carvalho) - samba











Look Into The Future (Journey) - rock











Secrets (Herbie Hancock) - jazz-funk











Urubu (Tom Jobim) - bossa nova/mpb











Naked & Warm (Bill Witers) - soul/funk












Brazilian Dorian Dream (Manfred Fest) - samba-jazz










Heard Ya Missed Me, Well I´m Back (Sly & The Family Stone) - funk










My Spanish Heart (Chick Corea) - jazz-fusion












Canto das Três Raças (Clara Nunes) - samba 










Chicken Skin Music (Ry Cooder) - blues/rock











Almorama (Paco De Lucia) - flamenca











Le Leprechaun (Chick Corea) - jazz











Monndawn (Klaus Schulze) - eletrônico/ambiente












Blackheart Man (Bunny Wailer) - reggae











Man In The Hills (Burning Spears) - reggae










Satta Massagana (The Abyssinians) - reggae











Third World (Third World) - reggae











War In a Babylon (Max Romeu & The Upsetters) - reggae











Diana Ross (Diana Ross) - soul/disco











Blackheart Man (Bunny Wailer) - reggae











Olias of Sunhillow (Jon Anderson) - rock











Fly With The Wind (McCoy Tyner) - jazz











School Days (Stanley Clarke) - jazz fusion/funk











Guilherme Arantes (Guilherme Arantes) - mpb/rock