Calma!! Não é mais uma enquete nova da Costeleta, que costumo fazer em lembrança dos discos que completam 30, 40 e 50 anos. Este ano por exemplo já rolou a dos álbuns de 1976 e ainda vai rolar as de 1986 e 1996. Então que tal conferir também o que rolou em 1966? Há exatos 60 anos atrás...
Confesso que não tenho muitos discos físicos deste ano. Ao contrário, por incrível que pareça tenho mais cds de 1965 ou 1967. Mas pesquisando deu pra fazer a lista dos meus onze deste ano. Quem quiser colaborar é só mandar a lista com seus preferidos de 1966.
Já fiz isto da mesma maneira com os anos de 1964 e 1965. Então aí vão "Os Onze da Costeleta de 1966"!!
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| Os Onze da Costeleta de 1966 |
Os Afro-Sambas (Baden Powell & Vinícius de Moraes)
Em contraste com a bossa nova branca e da elite carioca, "Os Afro-Sambas" é um marco na música popular brasileira, que traz a negritude afro-brasileira. Neste álbum revolucinário expõe-se o candomblé, juntado pela poesia de Vinícius de Moraes, com o violão vigoroso de Baden Powell e os corais do Quarteto em Cy.
Uma forma de expressar os orixás de maneira poética e universal. Eu mesmo conheci através da regravação feita pelo Baden feita no início dos anos 90, que tinha uma gravação mais limpa. Este de 1966 é mais raiz, e os cantos soam únicos e originais.
Um fato curioso de quem faz a voz-feminina em Canto de Ossanha é a atriz Betty Faria. E Baden, na época chegou a pedir a um pai de santo em Caxias, a permissão pra fazer esta homenagem aos orixás.
A Quick One (The Who)
Após a explosiva estréia com "My Generation", o The Who veio com seu segundo álbum e também enérgio "A Quick One". Desta vez com mais composições de seus membros e menos R&B. Nos Estados Unidos lançaram com o nome de "Happy Jack", single que foi sucesso por lá, mas não incluso no álbum britânico.
Destaco de cara a animada Run Run Run, que é seguida de Boris The Spider, marca do baixista John Entwistle, e que seria tocada em muitos shows na carreira da banda. Curto bastante o único cover do álbum, Heatwave, música que teve antes destaque com Martha & The Vandellas, além também de So Sad About Us.
Mas a faixa que teria mais importância ao longo dos anos, seria A Quick One While He´s Away, uma mini-ópera de Pete Townshend, que o inspiraria futuramente para as óperas-rock "Tommy" e "Quadrophenia". Esta música seria executada no Monterrey Pop Festival de 1967 e ganharia ainda mais destaque no "Rock N´Roll Circus" dos Rolling Stones.
Minha versão em CD possui vários bônus, entre elas, faixas do EP "Ready Steady Who", que foi lançado na mesma época do álbum "A Quick One".
Em 1966, a terra da Rainha vivia uma ebolição entre a Copa do Mundo encomendada e ganha pela Inglaterra, com a histeria da beatle & stonemania, e demais bandas do rock em geral. Gritaria que pode ser bem observada de cara neste primeiro álbum ao vivo dos Rolling Stones.
O delírio da mulherada era tanta, que os próprios membros dos Stones faziam apostas entre eles, pra saber em qual música o show seria interrompido pela invasão louca das fãs. Essa gritaria me incomodava quando conheci esse disco, que é aliás um dos primeiros contatos que tive com a banda.
Devido a baixa produção, a banda inclusive, reconhecia somente como primeiro disco ao vivo o "Get Yer Ya-Ya´s Out!" de 1970. Porém, sempre esteve no catálogo, Eu adquiri em algum ano recente a versão em CD DSR Remaster, que dá uma boa amenizada nos gritos da platéia. São registros de quando os Stones lançaram o álbum de estúdio "Aftermath".
Críticas à parte, eu ouço com muita afinidade, pois acho a energia incrível destas gravações. Músicas como Unther My Thumb, Get Off Of My Cloud, Not Fade Away, e 19th Nervous Shakedown, devido à pegada e velocidade, podem ser consideradas como proto-punks!
´Four`And More (Miles Davis)
Acelerar músicas ao vivo no palco não era exclusividade somente dos Rolling Stones, a empolgação transcendia também para o Jazz. Em 12 de fevereiro de 1964, o Quinteto de Miles Davis se apresentou no Philharmonic Hall, em Nova Iorque. Desta mesma apresentação se resultaram em dois discos: "My Funny Valentine" lançado no ano anterior, que continha faixas mais lentas e andamento médio, e este ´Four`And More com faixas mais enérgicas e numa velocidade maior.
A começar pelo clássico So What do lendário "Kind Of Blue"; Uma versão muito mais virtuosa do que a climática original. Isto vale para as demais como Joshua e Seven Steps To Heaven, ambas do disco homônimo desta última faixa, que já contava o ótimo saxofonista tenor George Coleman, o qual ainda segue vivo e na ativa até hoje com seus noventa e poucos anos.
É um álbum com muito suíngue, ótimo pra quem curte quebradeiras jazzísticas. O quinteto de Miles, se completava com jovens músicos, com o baterista Tony Williams (falecido em 1997) e os ainda vivos Herbie Hancock no piano e Ron Carter no baixo. O grupo naquele ano já contava com Wayne Shorter no sax, mas aí já é uma outra história.
Aftermath (The Rolling Stones)
Este é o primeiro álbum da banda a ter somente músicas compostas pelos próprios integrantes, no caso a dupla Mick Jagger e Keith Richards. Cada vez mais o grupo se expandia nos estilos, e o guitarrista e gaitista fundador Brian Jones experimentava outros instrumentos raramente usados no Rock.
Em "Aftermath" os casos que mais exemplificam isto nas funções de Brian, foram a cítara em Paint In Black, uma faixa que foi lançada como single de sucesso no Reino Unido, e está presente somente no álbum da versão estadunidense. As marimbas na fantástica Unther My Thumb, e um instrumento saltério dos apalaches em I Am Waiting.
Um grande disco, que já indicava o caminho que o rock tomaria com a psicodelia. Doideiras experimentações presentes também no "Rubber Soul" e "Revolver" dos Beatles, "A Quick One" do The Who, "Pet Sounds" do Beach Boys, entre outros como "Da Capo" dos californianos do Love. Iniciava-se a era do Flower Power. Destacam-se também a balada Lady Jane, Stupid Girl e a quase jam Going Home de onze minutos.
Revolver (The Beatles)
Um dos álbuns da carreira dos Beatles mais cultuados pelos seus fãs. Apesar de eu, particularmente ouvir mais seu anterior, o "Rubber Soul" e o posterior "Sgt. Peppers...". Enfim, "Revolver" é um divisor de águas na história da banda. Após a gravação deste, o quarteto faria seus últimos shows em turnê, e dali se dedicariam mais exclusivamente às gravações de estúdio.
Aqui é definitivamente quando a banda deixa de vez a fase "boyband" e embarca na psicodelia, exprimentação e LSD. Dali em diante, fariam composições com vários estilos diferentes de músicas. De cara minhas preferidas do disco me amarro na rockona Taxman de George Harrison, e as orquestradas Eleornor Rigby e Yellow Submarine. Sem falar na animada Doctor Robert e na indiana Tommorrow Never Knows, onde inovam com guitarras reversas na gravação.
A capa é também um capítulo à parte. Criada pelo artista e amigo da banda Klaus Voorman. Ele usou colagem de fotos dos quatro beatles de 1964, com os rostos de ambos desenhados em tamanhos maiores. Enfim, um álbum marcante na estética da música da época.
Meditations (John Coltrane)
Enquanto a psicodelia do rock vivia novas experimentações em 1966, o saxofonista John Coltrane, ia com sua música além da experimentação. Ia para uma conexão espiritual com Deus, com o além e infinito, através de um jazz mais livre e agressivo. Segundo ele próprio afirmava.
Confesso que até hoje nunca me senti a vontade com o free-jazz. Essa anarquia musical está bem caracterizada na primeira faixa The Father And The Son And The Holy Ghost, deste ábum "Meditations", na qual até pulo a faixa.
Lembro quando comprei este CD, empolgado com os demais "Giant Steps" de 1960, "Coltrane" de 1962, "A Love Supreme" de 1965, entre outros, e quando fui ouvir esta primeira faixa me assustei. Aliás, até hoje não me adaptei a este som, em que o saxofonista vinha fazendo neste período até seu falecimento em 1967.
Só pra se ter uma idéia, a banda é o seu super quarteto acrescentado de mais um baterista, Rashied Ali e de outro saxofonista Pharoah Sanders. Aí já viu né?! Porém as demais faixas Compassion, Love, Consequences e Serenity são mais "normais", e são demais! O próprio Coltrane dizia que "Meditations" é a continuação da sua obra-prima "A Love Supreme" do ano anterior. Então valeu muito minha aquisição. Vale citar que este foi o último álbum a contar com o pianista McCoy Tyner e o baterista Elvin Jones.
The Real Folk Blues (Howlin´Wolf)
Vamos agora para o Mississippi, pra falarmos de Howlin´Wolf, uma das vozes do blues mais influente de todos os tempos. O homem que tinha um marimbondo na garganta, além de gaitista e guitarrista era venerado por diversas bandas inglesas de rock.
Wolf já avia gravado diversos singles e três compilações, então a Chess Records, resolveu neste meio da década de sessenta uma série de coletâneas de bluseiros intituladas de "The Real Folk Blues". Então neste está a nata de Howlin´Wolf gravadas em Chicago entre 1956 e 1965.
Entre as diversas pérolas está a faixa de abertura Killing Floor, aquela em Jimi Hendrix explodiria fazendo a abertura com o Experience no Monterrey Pop Festival de 1967. Algumas faixas também foram compostas e gravadas com o lendário baixista Willie Dixon.
Speak No Evil (Wayne Shorter)
O mesmo time citado acima do Miles Davis "Four And More" é o que gravou o sexto álbum solo do saxofonista Wayne Shorter. A excessão é a troca do trompetista Freddie Hurbard no lugar do incomparável Miles. Além de Elvin Jones, batrista de John Coltrane no lugar de Tony Williams.
Sim, era costume dos músicos de jazz cooperarem nos álbuns entre eles. Wayne Shorter e o baixista Ron Carter por exemplo participaram do também excente "Mayden Voyage" do pianista Herbie Hancok, em seu disco de 1965.
Era costume de alguns colocar foto da então esposa da capa de seus álbuns. E nesta quem está era Teruko Nakagami, então mulher de Wayne Shorter, a qual ele conheceu em 1961.
Neste disco em que se funde hard bop e jazz modal, que consolidou e marcou a carreira do saxofonista, e muitos consideram um dos mais importantes da história do jazz, destacam-se Witch Hunt, Dance Cadaverous e a faixa-título Speak No Evil. Com as feras dessas tocando juntos não tinha como não dar bom.
Sua Sanfona e Sua Simpatia (Luiz Gonzaga)
Tá pensando o quê? Também tenho disco do Gonzagão. Curto de leve um baião sim! Um CD, de pelo pouco de informações que pesquisei e não achei, parece ser uma compilação lançada no ano de 1966. O décimo quinto LP do artista.
Boa parte das faixas é de composição de Luiz Gonzaga com o letrista pernambucano Miguel Lima. E as que curto são: O Cheiro de Carolina, Xanduzinha, A Feira de Caruaru, Xamego e Buraco do Tatu.
Após o sucesso nos anos 40 e 50 e virar o rei do Baião, Luiz Gonzaga na década de 60 ficou um pouco no ostracismo e morou algum tempo com seu filho Gonzaguinha, então adolescente, na Ilha do Governador no Rio de Janeiro. Ambos brigavam muito, mas nos anos 70 e 80, Gonzagão voltou em evidência e chegou a gravar junto com seu filho.
Por acaso, estudei com sua neta, Amora Pêra, no final dos anos 90 no CEL de Ipanema. Recomendo também, pra quem quer conhecer mais sobre o músico, assistir o filme "Gonzaga: De Pai Para Filho" de 2012.
Fresh Cream (Cream)
Pra fechar a lista dos meus 11 de 1966 vale citar e muito o álbum de estréia do Cream. O famoso power-trio inglês de blues-rock formado por Jack Bruce (vocal e baixo), Eric Clapton (guitarra) e Ginger Backer (bateria). Grupo que foi bastante influente na história do rock, e que fazia destacar os instrumentistas, além das canções.
Este é meu preferido de estúdio, pois o álbum que me introduziu ao Cream foi o "Live Cream" de 1970, e praticamente quase todas as faixas deste último estão presente neste primeirão da banda. São elas: N.S.U. , Sleepy Time Time, Sweet Wine e Rollin Tumblin´.
Mas vale destacar o single I Feel Free, que como de costume das bandas, só tem no álbum estadunidense. Além também de I So Glad. Outros covers como Spoonful e Cat´s Squirell eram costumeiras em bandas britânicas da época como John Mayall & The Blues Breakers, Ten Years After, Jethro Tull e The Yardbirds.













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