sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Os Onze da Costeleta em 1976

Como vão amigos? Aliás, melhor dizendo, "Galera da Música", como costumo iniciar meus programas. Estou passando pra avisar que darei um tempo nas minhas gravações em vídeo. Preciso neste período de 2026 me dedicar mais à minha vida pessoal. Está tudo bem comigo! Só que editar, pesquisar imagem, requer um certo tempo considerável no dia a dia. Mas, quem sabe, em breve voltarei ao You Tube. Assim espero...

Mas isso não quer dizer, que deixarei de fazer minhas enriquecedoras enquetes. Então, seguindo a brincadeira, que já faço há 5 anos, darei o pontapé inicial para a Enquete A Costeleta - Álbuns de 1976

Os discos que estão completando 50 anos de seus lançamentos. 
Foi difícil selecionar só onze!! Mas vamos lá com os meus onze...

Os Onze da Costeleta em 1976


Ramones (Ramones)
O disco que revirou o rock neste meado dos anos 70. Os quatro rapazes surgiram em Nova Iorque em 1974, em buracos como Max´s Kansas City e CBGB, até gravarem o álbum de estréia em 1976. O disco e a banda chamaram mais atenção dos ingleses do que dos estadunidenses, quando os Ramones foram tocar na Inglaterra e influenciaram a cena Punk britânica, entre eles, os Sex Pistols e The Clash. 

Blitzkrieg Bop e Beat On The Brat abrem as quatorze faixas da bolacha. Canções curtas e com riffs diretos, caracterizada com a carismática voz de Joey Ramone. Curto todas do início ao fim, sem excessões. Joey, Johnny, Dee Dee e Tommy neste álbum fizeram história. Seres estranhos que reformularam o rock, o qual estava muito experimental, do que o básico de sua origem. 


High Voltage (AC/DC)
Após os seus dois lançamentos locais de estréia: "High Voltage" e "T.N.T", a Austrália havia ficado pequena para o AC/DC. Fez-se então um compilado praticamente destes dois discos, e lançaram para o mundo este High Voltage (internacional). Dali a banda dos irmãos Young, e do icônico vocalista Bon Scott partiríam para se tornarem uma das maiores bandas de rock de todos os tempos.

Rock à moda antiga, só que mais pesado, e com solos e suíngue de blues. O álbum já abre com It´s A Long Way To The Top (If You Wanna Rock N´Roll), que ficaria ainda mais famosa pelo filme Escola de Rock, do ator Jack Black. Mas isso é só um detalhe, para um disco que tem clássicos eternos como a faixa-título, Live Wire , The Jack e Rock N´Roll Singer. Sensacional!! Este ano, o AC/DCover prestará novamente uma homenagem aos seus 50 anos, tocando todas as faixas ao vivo na íntegra!

Sad Wings Of Destiny (Judas Priest)
Após o razoável álbum de estréia "Rocka Rolla", o Judas Priest em 1976 com "Sad Wings Of Destiny" veio bem mais inspirado e matador, o que fez moldar o rumo do Heavy Metal. Aqui estão uma das melhores músicas da história da banda, a começar pela minha preferida Victim Of Changes, de oito minutos, com peso, dinâmica, melodia e solos arrebatadouros. 

Só não acho o disco perfeito, pois a produção deixa a desejar. Um som magro, em relação ao que a banda viria fazer nos anos seguintes. Parece que foi gravada num "ganho 3¨, além da limitada bateria. Porém, além de, Victim Of Changes, outras faixas como Tyrant, Genocide e The Ripper ganhariam versões avassaladoras no "ao vivo" Unleashed In The East", de 1979.

África Brasil (Jorge Ben)
Considero um dos melhores discos da música popular brasileira, além de ser meu preferido do Jorge. Sim, até mais que o "Tábua de Esmeralda". Um álbum com instrumental e produção, impecável, ou como muitos dizem "gringa!". Isso se deve muito a maestria do produtor Marco Mazzola, que soube organizar o bandão todo que tinha por trás. Segundo ele próprio em seu canal, diz que resolveu destacar algumas percussões menores na cara, em vez de deixá-las de fundo, como normalmente era feito. 

Em África Brasil, Jorge Ben troca o violão pela guitarra, e já abre com um riffaço em Ponta de Lança Africano (Umabarauma), música já regravada até pelo Soulfly nos anos 90. Misturando música afro-brasileira com negro-americana, desfila pedradas como Hermes Trismegisto Escreveu (que já toquei esta com o Tatubala inclusive), Xica da Silva, Taj Mahal, e muitas outras. Exceto a faixa nove, a qual eu pulo. Discaço!

Legalize It (Peter Tosh)
Após criar e se consagrar com o The Wailers e sair do grupo, Peter Tosh inicia sua trajetória solo. E com sua genialidade faz um reggae ainda com uma outra originalidade. No conteúdo segue a devesa da cannabis e as consequencias negativas do colonialismo na Jamaica. Críticas sociais e raciais seriam ainda mais evidentes no disco seguinte 'Equal Rights". 

A faixa-título e a capa é um marco na história do reggae, e foi sucesso mundial, apesar de sofrer censura em alguns lugares. "Legalize It" conta com alguns músicos do The Wailers, além do baixista Robbie Shakespeare Entre os destaques coloco: No Symphaty, Wy Must I Cry, Igzibeher (Let Jah Be Praised) e a animada Ketchy Shuby. Tive uma versão especial dupla em que continha várias versões em dub bem legais. Um clássico!

Dirty Deeds Done Dirt Cheap (AC/DC)
Outro petardo rock n´roll do AC/DC da fase Bon Scott. Aliás, todos são né!? A formação do quinteto é a mesma do álbum anterior com , além de Bon, os irmãos guitarristas Malcolm e Angus Young, com Mark Evans (baixo) e Phil Rudd (bateria). Foi novamente produzido pela dupla Harry Vanda e George Young. Destaque para a faixa-título, Rocker, Problem Child e o show blues Ride On

Existem as versões australiana (que  contém o clássico Jailbreak) e a internacional, com excessão dos EUA, que era um mercado ainda a ser conquistado, pois acharam que os americanos não entenderiam as gírias e o jeito de cantar de Bon Scott. O álbum só foi ser lançado por lá somente em 1981, com a banda já estourada e fazendo enorme sucesso pelo mundo.

2112 (Rush)
Pressionados pela gravadora pelo fracasso das vendas do último álbum "Caress Of Steel", queríam que o Rush fizesse algo mais comercial. Só que o trio canadense optou o contrário e colocou uma faixa sobre ficção científica futurística de 20 minutos. Acertaram em cheio em sua intuição e acharam de vez sua identidade. "2112" foi um sucesso e até hoje é o segundo mais vendido da história da banda, somente atrás de "Moving Pictures".

É com certeza um dos meus preferidos. Curti muito, ainda mais na minha fase de descobrir o mundo do rock progressivo. O lado 2 também é excelente com suas faixas curtas de 3 minutos em média. O álbum foi uma virada de chave para o Rush, pois a partir dali eles teriam mais controle sobre que rumo musical tomar. 

Há Dez Mil Anos Atrás (Raul Seixas)
Neste, Raulzito volta ao misticismo, que marcou o auge de sua carreira. A faixa título eu ouvia e viajava muito por tabela, graças à meu irmão mais velho Iuri, que era fanático por ele. Este grande clássico foi inspirada em I Was Born About 10,000 Years Ago de Kelly Harrel, dos anos 1920, e adaptada por Elvis Presley anos depois. 

Mas o disco é muito além desta faixa. Aqui, Raul Seixas se mostra eclético em suas composições e letras. A começar pelo tango Canto Para Minha Morte, numa interpretação forte e sombria. Destacam-se os countries Meu Amigo Pedro, Quando Você Crescer e Eu Também Vou Reclamar. Foi o último ábum de composições em parceria com Paulo Coelho.

Amigos (Santana)
Até teria discos mais interessantes pra colocar entre os meus onze, mas "Amigos" do Santana eu tenho uma certa afetividade. Conheci numa época em que ouvia bastante a Santana Band, e Carlitos é um dos meus guitarristas preferidos de todos. 

A faixa de abertura Dance Sister Dance (Baila Mi Hermana) já te conquista de cara, e outras são muito boas. Porém o grande destaque do álbum é Europa , em que Carlos Santana faz um dos solos mais sentimentais e emocionantes da história da música. Exibição elogiada inclusive por Stevie Vai, que a considera uma das melhores, se não a melhor performance de um guitarrista. "-Quando ouvi Europa, meu mundo parou!" disse Vai. 

Wired (Jeff Beck)
Um ano após do sensacional "Blow By Blow", o guitarrista Jeff Beck mantém o altíssimo nível e lança o "Wired". Mesmo não compondo nenhuma das faixas, Beck se dedica à sua performance no álbum inteiramente instrumental, que é considerado um dos pilares do jazz-fusion. O cargo das composições coube aos excelentes músicos, que o acompanharam na medida certa, sem exageros e com timbres excelentes de sintetizadores, de Fender Rhodes e de clavinete. 

A produção foi feita pelo quinto beatle George Martin. Todas músicas são boas, mas destaco Led Boots, Come Dancing e Goodbye Pork Pie Hat, de Charles Mingus, além de Head For Backstage Pass, que tem um solo groovaço do baixista Willburn Basscomb. Recomendo muito essa sonzeira.

Black And Blue (The Rolling Stones)
Jeff Beck não combinou com os Stones para substituir Mick Taylor, mas Ron Wood sim. Neste Black And Blue, Ronnie, enfim aparece oficialmente nas artes do encarte com os demais músicos da banda. Mas um fato curioso é que Wood dividiu as gravações das guitarras com mais outro dois guitarristas. E foi nesse processo de gravação que Mick Jagger e Keith Richards escolheram Wood. Mas vale muito destacar o solo de Wayne Perkins, um destes guitarristas, na faixa Hand Of Fate.

O álbum tem uma pegada meio funky e reggae. Billy Preston e Nicky Hopkins fazem ótimos trabalhos nos pianos e teclados. Curto as faixas Hot Stuff, Hey Negritta e a balada Fool To Cry, que foi lançada como single e teve um certo sucesso. Tem a Cherry On Baby do cantor jamaicano Eric Donaldson, que inclusive foi regravada pela banda UB40 nos anos 1980.


Menção honrosa: The Song Remais The Same (Led Zeppelin)



Outras pérolas de 1976 da minha coleção
que poderiam estar facilmente entre os meus onze.

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